Minutos antes de o telejornal entrar no ar, o apresentador repassava o texto em voz alta, como se já estivesse à frente da câmera.
De repente, ele entrou em guerra com a palavra inexequível. Perguntou ao seu editor: “Como é a pronúncia: inexekível ou inexequível? Faltando apenas dois minutos para o telejornal entrar ao vivo, o editor não sabia responder.
Já diante da bancada e irritado, o apresentador recorreu ao diretor: “Faça um milagre aí da sua sala. Tenho pouquíssimo tempo para saber a pronúncia correta dessa palavra chata”.
O diretor ia pedir socorro à internet, mas só faltavam 30 segundos para o programa começar. Lembrou do dicionário na gaveta de sua mesa. Numa velocidade espantosa, consultou o livro, mas este já estava com a edição segundo as novas regras ortográficas. O u da palavra inexequível estava desnudo, não se sabia se era pronunciável.
Não havia mais tempo. O jornal entrara no ar. O apresentador, nervoso, deu a primeira manchete: “Veja hoje as principais notícias do dia: A respeito da diminuição dos próprios salários, os deputados afirmam que o projeto é inexekível, perdão, é inexequível... inexekível... Perdão, os deputados afirmam que o projeto não pode ser executado”. (Texto de Valdeir Almeida).
O trema foi a grande vítima da (parcial) Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. Mataram-no como quem abate uma mosca. Mas nas noites assombrosas dos discursos de oratória, o trema ainda vai puxar a perna de muita gente.
OBS:Neste texto, não se afirma que o fim do trema instituiu uma nova pronúncia.
O que se tenta discutir nessa crônica é que com o fim deste sinal diacrítico, haverá muitas dúvidas quanto à pronúncia de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano linguístico.
O diretor ia pedir socorro à internet, mas só faltavam 30 segundos para o programa começar. Lembrou do dicionário na gaveta de sua mesa. Numa velocidade espantosa, consultou o livro, mas este já estava com a edição segundo as novas regras ortográficas. O u da palavra inexequível estava desnudo, não se sabia se era pronunciável.
Não havia mais tempo. O jornal entrara no ar. O apresentador, nervoso, deu a primeira manchete: “Veja hoje as principais notícias do dia: A respeito da diminuição dos próprios salários, os deputados afirmam que o projeto é inexekível, perdão, é inexequível... inexekível... Perdão, os deputados afirmam que o projeto não pode ser executado”. (Texto de Valdeir Almeida).
O trema foi a grande vítima da (parcial) Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. Mataram-no como quem abate uma mosca. Mas nas noites assombrosas dos discursos de oratória, o trema ainda vai puxar a perna de muita gente.
OBS:Neste texto, não se afirma que o fim do trema instituiu uma nova pronúncia.
O que se tenta discutir nessa crônica é que com o fim deste sinal diacrítico, haverá muitas dúvidas quanto à pronúncia de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano linguístico.

