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Como diminuir os períodos longos

23 de janeiro de 2012






Os períodos longos costumam ser cansativos: é necessário ler várias vezes para entendê-los. Por isso, demonstraremos como reduzi-los e tornar sua leitura agradável e compreensível. Partiremos de um exemplo retirado de um jornal impresso renomado:


Um dia antes de um ministro, Mário Negromonte, do PP, baiano, inclusive, quando submetido a denúncias de ter criado um mensalinho para remunerar o apoio dos colegas de bancada mais pragmáticos, dizer, em tom de ameaça, que “em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso eu disse que isso vai virar sangue”, quem praticamente morria em uma maternidade de referência, em Belém, que lhe batera a porta na cara, era uma mulher em trabalho de parto de gêmeos”.

Ufa! Haja fôlego para ler este parágrafo. Ele está repleto de intercalações. O período foi iniciado com uma frase que só encontra seu complemento no final do trecho. E, para piorar, foi inserida uma citação antecedida pelo relativo que, em vez dois pontos (:).

Mãos à obra. Vamos às etapas para encurtar o período:

1. Localizar o principal “protagonista” da história; ou seja, o sujeito cujo predicado é mais extenso:
Sujeito: O ministro Mário Negromonte (do PP, baiano, inclusive).

Observações:
a) Como o substantivo ministro está especificado por Mário Negromonte, o artigo que o antecede deve ser o definido. Portanto, em vez de um, deve-se escrever o.
b) “do PP, baiano, inclusive” foi colocado entre parênteses, porque da forma como estava confundia o leitor: não ficava claro se “inclusive” enfatizava o fato de o PP ser baiano, ou se chamava atenção para a oração seguinte (“... quando submetido...”).


2. Reescrever o predicado do sujeito principal, mas mantendo a ideia original do redator:
Predicado: ...foi submetido a denúncias de ter criado um mensalinho para remunerar o apoio dos colegas mais pragmáticos.

(Observe que só houve uma alteração na estrutura: substituiu-se a conjunção quando – que nesse contexto indica passado – pela forma verbal pretérita foi).


3. Juntar o sujeito principal ao seu predicado, formando um período compreensível:
O ministro Mário Negro Monte, do PP baiano, inclusive, foi submetido a denúncias de ter criado um mensalinho para remunerar o apoio dos colegas mais pragmáticos.


4. Diante da citação do ministro, substituir o pronome que por dois pontos (:).
Para tanto, passaremos o verbo para o pretérito (pois é esse o tempo do período):
... em tom de ameaça disse: “em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso eu disse que isso vai virar sangue”.


5. Unir a frase inicial ao seu complemento, que está no final do período:
Um dia antes, quem praticamente morria em Belém, numa maternidade de referência, que lhe batera a porta na cara, era uma mulher em trabalho de parto de gêmeos.

Observação:
a) O adjunto adverbial “em Belém” foi deslocado para obedecer à ordem direta e, assim, tornar a frase legível. Isso porque, da forma como estava, entendia-se que quem batera a porta havia sido Belém e não a maternidade. Entretanto, para evitar o eco na estrutura em Belém em, substituiu-se em uma pela contração numa.


6. Ligar, por fim – com termos conectivos , todos os trechos adaptados:
O ministro Mário Negro Monte, do PP baiano, inclusive, foi submetido a denúncias de ter criado um mensalinho para remunerar o apoio dos colegas de bancada mais pragmáticos. Por esse motivo, em tom de ameaça, ele disse: “em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso eu disse que isso vai virar sangue”. Um dia antes dessa declaração, quem praticamente morria em Belém, numa maternidade de referência, que lhe batera a porta na cara, era uma mulher em trabalho de parto de gêmeos.


Fácil, não é? Agora, com três períodos curtos, o parágrafo deixou de ser cansativo. Além disso, tornou-se compreensível.


Fonte do exemplo: Como dito, o exemplo foi extraído de um renomado jornal impresso. Como nosso objetivo não é desmerecer o trabalho profissional do jornalista, preferimos não citar a fonte.


Trabalho desenvolvido pelo professor Valdeir Almeida. Respeite os direitos autorais.