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Qual o papel do revisor textual?

9 de dezembro de 2011




Responderemos à pergunta do título mais adiante. Antes, iremos colocar em pauta mais duas categorias de profissionais relacionadas ao universo editorial: copidesque e ghost writer.

O copidesque analisa profundamente o livro (ou qualquer outro suporte de texto) para identificar e corrigir problemas que alteram substancialmente a ideia original do autor. Já ghost writer (escritor fantasma em inglês), apesar de na introdução deste post ser designado de profissional, é um indivíduo que desonra a categoria das pessoas cujo objeto de trabalho é o texto.

A função do ghost writer é redigir, por exemplo, um livro para que os créditos sejam dados a outrem. Infelizmente, essa prática é comum, sobretudo no meio acadêmico: pessoas que escrevem com fluência e dinamismo recebem altas cifras para elaborar TCCs, monografias e até teses de mestrados e doutorados para quem um dia irá enfrentar o mercado de trabalho. Ghost writers, além de incorrerem em crime de falsidade ideológica, contribuem para que profissionais desqualificados cometam erros prejudiciais à sociedade.

O revisor textual (do mesmo modo que o copidesque) é um profissional altamente capacitado na arte de escrever. Entretanto, age com honestidade: prefere ter seu nome expresso textualmente na ficha técnica do livro a receber valores de grande monta para redigir um livro cuja atribuição será concedida a outra pessoa. É papel do revisor, portanto, – após análise precisa e exaustiva do conteúdo –“diagnosticar” e corrigir os problemas de ordem gramatical, ortográfico, de digitação (entre outros) presentes no texto.

Trazer à tona a diferença entre essas três atividades é imprescindível para desfazer determinados equívocos que vez ou outra surgem entre alguns clientes que pretendem publicar suas obras. Se eles recorrem aos serviços de um revisor, não podem exigir que este desempenhe a mesma função de um copidesque (nem vice-versa); a não ser que ele seja remunerado para executar as duas atividades concomitantemente.

A outra razão de discutir o tema em apreço se justifica pela existência de determinados livros tão mal-escritos que não há possibilidade alguma de passar pelo crivo do revisor nem do copidesque. São trabalhos indecifráveis na sua totalidade a despeito de escritos na língua vernácula.

Em alguns casos, o escritor com esse perfil nutre a esperança de que o revisor ou o copidesque façam milagres. Ora, tais profissionais não têm essa capacidade sobrenatural, mas são competentes para reescrever o livro. Essa proeza, no entanto, tornar-se-ia quase sempre inviável por duas razões: 1) o autor se recusa a incluir na ficha técnica do livro o nome do profissional que traduziu em palavras os pensamentos do escritor e 2) o autor não remunera o profissional com o valor justo.

Quando um escritor pede o auxílio a alguém para avaliar sua obra, deve ter um objetivo nítido, como visto. Possivelmente, por ser um neófito no meio editorial, desconhece a existência desses dois profissionais e o trabalho específico de cada um deles, e, consequentemente, quer atribuí-lhes funções não peculiares. Além disso, deve-se ter presente que é crime e falta de ética profissional ter auxílio de um escritor fantasma por violar os direitos de propriedade intelectual.



Texto escrito por Valdeir Almeida – Respeite os Direitos Autorais.


Imagem: stock.xchng